sexta-feira, 24 de abril de 2009

LIBERDADE


do primaveril horizonte

vem o inefável apelo

as grades partem-se

neste abril que canto

de abril a palavra sem medo

cor de cravo tingida

dos dedos desabrocha

o protesto canção notícia

e a voz

hino surdo ontem

hoje de um povo o clamor

morena a vila grândola

desperta o grito a melodia

solta asas a gaivota

voa agora

de vento as asas

do povo mar o coração

e a voz

de incontido júbilo rouca

embriagada repete a palavra

surdina de peitos coragem

o cárcere enfim rebenta

das gargantas ecoa

LIBERDADE

nos muros pinta-se

LIBERDADE

tatua-se no peito memória

para que o tempo não apague

para que não esqueça

para que seja mimada

amada

para não ser nunca a página

do livro da história arrancada