
do primaveril horizonte
vem o inefável apelo
as grades partem-se
neste abril que canto
de abril a palavra sem medo
cor de cravo tingida
dos dedos desabrocha
o protesto canção notícia
e a voz
hino surdo ontem
hoje de um povo o clamor
morena a vila grândola
desperta o grito a melodia
solta asas a gaivota
voa agora
de vento as asas
do povo mar o coração
e a voz
de incontido júbilo rouca
embriagada repete a palavra
surdina de peitos coragem
o cárcere enfim rebenta
das gargantas ecoa
LIBERDADE
nos muros pinta-se
LIBERDADE
tatua-se no peito memória
para que o tempo não apague
para que não esqueça
para que seja mimada
amada
para não ser nunca a página
do livro da história arrancada