domingo, 27 de maio de 2007

the show must go on



agora que o som se desvanece


e a luz mais não é que uma memória


agora que os actores viram costas


e o público abandona a plateia


agora a sala fica vazia


cheia de memórias fantasmas

silêncios cúmplices de personagens


histórias que num lapso de realidade


se tornaram eternas


e tenazes resistem agora


à corrosão das horas

segunda-feira, 5 de março de 2007

o túnel


o início
os passos vacilam no obscuro trilho
ao fundo a luz eu sei
volto o olhar
íntimo reflexo
estendo a mão
semicerro os olhos
e a intensa luz
cega
e eu sei
persisto
tenaz cambaleio
no carril salvador
os olhos na luz
e vejo
para trás apenas
farrapos memória
e o sol carinho
beija-me a pele
sussurra-me delícias
amanhã
eu sei

sexta-feira, 2 de março de 2007

o fio das horas


o fio das horas verga a resistência do corpo exangue

gota a gota o minuto corrói a matéria-homem

ânsias prazeres sonhos rebentos vitais

erigiram a efémera presença

desperta exposta mortal

suspensa em tempo

tempo sem tempo

no fio das horas

quinta-feira, 1 de março de 2007

rios


as conversas cruzam-se serpenteiam fundem-se
numa algaraviada estéril
o sentido embebeda-se de ridículo
em palavras sem nexo
a vertigem da jornada
faz esmorecer a demanda
pelo rio sábio o das águas cristal
o das águas horizonte
no vazio das palavras
perco o norte prometido
a vitalidade do ciclo
a vontade que um dia palpitou
anseio o fundo mergulho nas águas
e na corrente encontrar o horizonte